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terça-feira, 17 de abril de 2012

Depois das Oito às Cinco


Chegamos à hora certa, à hora marcada pelo destino. As nossas chávenas cruzaram um mar de sabores intensos e exóticos. O sabor da hortelã-pimenta…De uma corrente fresca que percorria o corpo e nos guiava por um trilho de sensações.
Vivemos durante um tempo esotérico de cheiros, sabores e conversas gourmet. Éramos seres especiais que levitavam ao encontro de cada sabor.
A caixa de chocolates aberta à nossa frente, oferecia-nos pequenas viagens para o mundo dos sabores. Fomos ao Brasil acompanhados pelo recheio a café, à India com o gengibre… Sabores inesperados em combinações difíceis, tal como nós. Os chocolates personificavam-nos. Assim, era mais fácil de nos entendermos.
O nosso encontro tinha sabor a chocolate e pimenta, a cravo e canela. Era doce, picante e crescia sem pretensões tal como as flores.
Marcávamos sempre encontro depois das oito às cinco…

sábado, 3 de março de 2012

Bolas de Sabão



Flutuam livres pelo ar, mas basta-lhes um toque para que a sua magia desapareça. Olhamos com ternura, sonhamos com elas, damos o conteúdo dos nossos sonhos, mas podemos destruir a sua beleza assim que o decidirmos, porque afinal de contas somos os seus autores.
Existem coisas que nasceram para ser livres, que vivem apenas para pairar à nossa volta.
Por vezes vive uma beleza naquilo que conhecemos com distância, que mantém sempre uma parte inacessível a nós…Talvez seja o seu lado utópico que nos atrai, aquilo que vemos, criamos, mas não o que é na realidade, o seu verdadeiro corpo.
Há uma beleza que chega a ser desmedida no não conhecer. Ultrapassa fronteiras dentro de nós, faz-nos viver com um sorriso, mas só porque não se realizou, não passou ao concreto.
Aparecem-nos situações e pessoas que o seu lugar é mesmo esse, deixar o nosso lado mais criativo viver e beber a essência que o alimenta.
Havemos em algum tempo da nossa vida ser o sonho de alguém e pairar nesse mundo que não pertence à Era do toque. Teremos os sentimentos, convicções, beleza, encanto que nos dão gratuitamente sem pedir em troca a correspondência a essas expectativas.
Quando esta força não for mais necessária estoiramos esta bola de sabão das nossas quimeras.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um Lugar Perdido


Estava em ruínas…De repente tudo parecia ter acabado naquele espaço onde antes havia uma vida. Existiam flores, montanhas verdes, pássaros a cantar, pessoas num frenesim constante. Agora Jasmim apenas via à sua volta o que restava de uma cidade. Os pássaros pareciam ter perdido a alegria de antes, o espaço sombrio e desconstruído tornava-se paisagem principal neste quadro. Parecia mesmo uma pintura, porque ali onde antes havia uma vida estava tudo parado. Jasmim não entendia o que se tinha passado, onde tinham ido parar todas as pessoas que faziam parte de si. Foi neste momento que percebeu que estava sozinha. Estava em ruínas. Aflita com a situação começou a gritar por alguém, mas a sua voz fazia eco naquele espaço e nada voltava senão o seu próprio som. Andou horas a fio, mas nada parecia surgir e mantinha-se sempre no seu espaço sem solução. O que ela ainda não tinha percebido é que aquele lugar não era físico, era o seu mundo emocional destruído porque não estava a ser capaz de olhar mais além. Porque para ela a linha do horizonte era o fim. Às vezes não era capaz de ver além do seu olhar. A cegueira da falta de coragem não a deixava seguir em frente. Ela vivia presa aos outros. Agarrava-se às pessoas como a sua bóia de salvação e quando a deixavam uma enorme tempestade se dava. Deixava-se então, afogar pelo medo do abandono.
Jasmim tinha tudo para ser corajosa, mas não se permitia ver essas coisas. Insisti-a em ser uma pessoa com medo e frágil, quando no fundo não era assim. O olhar de quem a rodeava via nela uma pessoa de sucesso, independente e corajosa. Mas ela há muito tempo que tinha abandonado essa visão. As vozes de quem tinha também medos levaram-na a acreditar de que era uma pessoa incapaz de ser feliz.


P.S- Este texto fui buscá-lo ao baú da minha escrita :)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

10º Andar



Não deixa de ser irónico o facto de passarmos de bestial a besta em alguns segundos. Num dia estamos no topo do prédio, noutro preparam-nos as trouxas e mandam-nos para o apartamento do rés-do-chão. Ficamos então perdidos nas infiltrações, no passear dos vizinhos com o seu cão a horas impróprias, nos gritos das discussões entre os simpáticos vizinhos dos andares superiores…
Cansados da confusão daquele prédio saímos em busca de um novo espaço para viver, até pode ser no prédio em frente que nunca lhe demos grande valor mas que naquele momento se nos mostra encantador.
O simpático vendedor aconselha-nos o apartamento do 10º andar que tem vista para o parque. Mudamo-nos então para lá e voltamos novamente ao topo.
Na vida quase tudo é uma questão de subir e descer. Passamos grande parte da nossa existência a experimentar lugares de destaque e de sombra.
Enfim…num dia estamos na cave de um prédio qualquer, noutro estamos num duplex luxuoso!

sábado, 16 de abril de 2011

De malas feitas



Ando sempre com a minha bagagem pronta para qualquer viagem que a vida me queira levar. Não recuso as aprendizagens destas idas e voltas sem destino certo. Na verdade estou sempre pronta para uma mudança.
Talvez não me esforce o suficiente para que as mudanças sejam mais radicais, talvez me sente algumas vezes na sala de espera a pensar na melhor opção, que tarda em chegar, mas acabo sempre por me levantar e seguir em mais um voo.
Se não insistisse em levar comigo a bagagem das minhas recordações poderia arriscar em um voo de queda livre. Mas sinceramente gosto de viver com elas. Gosto de me lembrar dos milhões de sorrisos que já dei ao lado de pessoas fantásticas que se cruzaram na minha vida. É certo que o caminho construído ainda é curto, mas tenho a certeza de que irá crescer a cada passo meu, cada passo que dou convicta de que quero e posso ter mais e melhor. Não me acomodo, nem me quero acomodar!

quinta-feira, 31 de março de 2011

Véus Ocultos



Escondia-se por detrás do véu, dificilmente o seu rosto era tocado. Protegia-se a si contra os ventos e as marés de quem tinha uma alma em fogo.
Era livre… Corria pela areia de uma praia como se voasse. Tinha em si e no seu mistério uma força guerreira. Quem por ela passava queria sempre descobrir o seu rosto. Acreditavam que havia um olhar cheio de coisas a contar, um olhar cheio de um mundo, de um mundo que todos queremos. As pessoas só não entendiam que era este mistério que ela embalava consigo que lhes dava coragem, que as fazia sonhar e sorrir pela descoberta. Um dia…Um dia, quem sabe ela não deixa tocar o seu rosto…

domingo, 27 de março de 2011

Horas Certas



Eram 5 horas da manhã. As ruas daquela cidade encontravam-se vazias, apenas se ouvia o som dos seus passos e o cantar dos pássaros a anunciar o amanhecer. Era uma noite onde se respirava a paz de um lugar. Ela caminhava com a segurança de que cada passo seu a deixava mais perto do destino escolhido.
Naquele lugar onde já passou tantas vezes, começou a pensar que em todas elas a única coisa comum era o espaço físico e ela, porque os seus pensamentos, esses sempre foram diferentes, as dúvidas e as certezas que carregava naquelas horas mudavam muito. O seu rosto já não tinha aquela pele clara e intocável de quem acreditava na concretização de grandes sonhos, no tempo em que as desilusões passavam de um dia para o outro. Agora ela tinha as marcas de muitas experiências, o seu rosto já não era um rosto vazio, era um rosto com histórias, mas esse rosto ainda acreditava que muita coisa estava para acontecer.
Chegou então ao seu destino, abriu a porta e entrou. Entrou com a certeza que há muito para viver e com o coração aberto a essa vida que ainda vem ao seu encontro.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O Companheiro Tédio



O Tédio, também conhecido como Aborrecimento, Enfado, Desgosto…Traz consigo o vazio, o nada. Vive abandonado mas sempre à procura de algo.
Ele é o olhar para uma parede vazia, a vontade de querer fazer algo. É o andar de um lado para o outro em frenesim, mas sem rumo.
Companheiro de algumas horas que parecem uma eternidade. É irónico porque ele está carregado de “nadas”, mas torna-se o “tudo”, o ponto central de um momento. Faz bater o coração mais depressa, muitas vezes até o pé num ritmo melódico acelerado que nos engana e faz pensar que vamos a algum lado sentados naquela cadeira que já rodamos em todos os sentidos possíveis e imaginários na esperança de encontrar algo para fazer.
O Tédio é o "amigo" e "companheiro" de algumas horas, oferece os seus nomes para navegarem em textos de dor, de revolta, de amor… Fugimos dele a sete pés, mas a verdade é que este “amigo” acaba por nos bater à porta e lá de vez em quando fazer uma visita para beber o chá das cinco connosco. Alguns de nós têm a sorte dele não ser muito assíduo nas suas visitas.

domingo, 10 de outubro de 2010

Armadura de Papel


Era uma tarde em que o céu chorava e o vento gritava, só não se entendiam as suas razões. Talvez fosse porque o sol os abandonou nos últimos dias.
Mesmo assim ela não se demoveu de sair. Saiu e abriu o seu guarda-chuva laranja, que contrastava no meio de uma tela cinzenta. Caminhou pelas ruas sem rumo, tentando organizar os seus pensamentos. Talvez estivesse à procura fora de si uma organização, uma resposta para todas as dúvidas que carregava. O medo que nem sabia bem de quê e de onde vinha, não a deixava seguir em frente. Vestia a armadura do não sentir, e ela era tão eficaz que nem as coisas boas a tocavam. Esta mulher acreditava que a sua atitude a podia ajudar a seguir em frente e a ter uma vida sem grandes confusões. Mas será que isso era o suficiente? Ela desistia de tudo para jogar pelo seguro, mas faltava-lhe sempre algo.
Entre todos estes pensamentos continuava a vaguear pelas ruas que eram acariciadas pela água. O seu vestido preto ganhava um padrão de pequenas gotas que se aproximavam dela sem pedir autorização. Neste emaranhado de pensamentos não notava o que se passava à sua volta. A criança que sorria para o pai, o casal que dava a mão num gesto de ternura, o adolescente que ajudava a avó a caminhar…
Pensou então que teria de arriscar e deixar que as coisas lhe tocassem, fosse de que forma fosse. Baixou o guarda-chuva e deixou que a chuva e o vento lhe tocassem o rosto!