Mesmo assim ela não se demoveu de sair. Saiu e abriu o seu guarda-chuva laranja, que contrastava no meio de uma tela cinzenta. Caminhou pelas ruas sem rumo, tentando organizar os seus pensamentos. Talvez estivesse à procura fora de si uma organização, uma resposta para todas as dúvidas que carregava. O medo que nem sabia bem de quê e de onde vinha, não a deixava seguir em frente. Vestia a armadura do não sentir, e ela era tão eficaz que nem as coisas boas a tocavam. Esta mulher acreditava que a sua atitude a podia ajudar a seguir em frente e a ter uma vida sem grandes confusões. Mas será que isso era o suficiente? Ela desistia de tudo para jogar pelo seguro, mas faltava-lhe sempre algo.
Entre todos estes pensamentos continuava a vaguear pelas ruas que eram acariciadas pela água. O seu vestido preto ganhava um padrão de pequenas gotas que se aproximavam dela sem pedir autorização. Neste emaranhado de pensamentos não notava o que se passava à sua volta. A criança que sorria para o pai, o casal que dava a mão num gesto de ternura, o adolescente que ajudava a avó a caminhar…
Pensou então que teria de arriscar e deixar que as coisas lhe tocassem, fosse de que forma fosse. Baixou o guarda-chuva e deixou que a chuva e o vento lhe tocassem o rosto!
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