sábado, 10 de agosto de 2013

Atriz de mim…



Chegou a hora. Maquilhagem, roupa, tudo preparado. O figurino está pronto, agora é só subir ao palco e começar a representar. O sorriso acompanha as palavras doces e calmas que embalam o dia-a-dia.
Tudo perfeito. Um texto sem falhas. Estamos no auge da representação.
O dia chega ao fim, agora está na hora de regressar a casa. Ouve-se o tilintar das chaves que abrem a porta da verdade.
Senta-se em frente ao espelho e começa a tirar a maquilhagem. Por detrás aparece um rosto marcado, onde as lágrimas começam a cair.
Com elas também cai a personagem. Agora é a hora certa, onde podemos sentir sem farsas. Uma vida despedida de sentido, que se reinventa todas as manhãs e morre em todas as tardes.

E o pano fechou e as luzes apagaram. Até à próxima encenação…

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Paredes com História


Hoje acordei abraçada por aquelas paredes, que de nós sabem mais do qualquer outra pessoa, ou mesmo nós próprios. São paredes cheias de emoções. Ai, se elas pudessem falar!? Jamais as calariam.
São as paredes que riram connosco, choraram, acreditaram, deram conselhos. Abraços em 4 mãos, com uma estrutura sólida. Jamais nos deixam cair nos nossos maiores medos.
Vidas contidas num pedaço frio, mas que por vezes são a nossa única salvação. É o lugar onde nos sentimos intocáveis pelas cruéis partidas da vida.
Cantinho do tudo é possível. Pintam-se da cor que lhes queremos dar, passam as emoções que nós queremos.
Será que são assim tão fiéis escudeiras, ou mesmo sem querer contam um segredinho nosso!?
Por muito que se queiram calar, por muito que lhe possamos pedir: “este é um segredo só nosso!”. Elas contam, porque há sempre alguém que se aproxima delas e diz: “Isto é a tua cara!”
Nesta altura já fomos apanhados na teia que não queríamos, algum sentimento, algum segredo vão descobrir. Só resta saber se é verdadeiro ou falso. Se é mesmo nosso ou é desejado.

Vá lá, contem-me história que eu já conheço, façam-me reviver alegrias de outros tempos. Mas só a mim, entenderam!?

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Despida de Sentimentos



Caminha pela vida largando os seus sentimentos pouco, a pouco… Esquece-se de como é ser recheada de emoções.
Despe a roupa do sentir e veste uma imortalidade quase perfeita.
Deixa-se a dor de lado, mata-se com o esquecimento, mas criam-se barreiras para a felicidade.
Vive desprovida dos condimentos das relações, do querer, do estar em vez da ausência.
Anedonia de um ser à procura de se completar. Sem saber afasta-se do seu destino, do que é mais do que certo.
Ouve-se um tic…tac que ocupa os espaços do ser. Horas que deviam ser preenchidas de sorrisos, de mãos dadas, de trocas mais do que seguras. Do entregar para ressuscitar.
Esta é a “morte” pelas próprias mãos. Não haverá um 7º dia, mas um dia para renascer.
Assim irá aprender de novo a sentir, a redescobrir que ainda há uma oportunidade de vida, uma chance para receber.
Ela precisa entender que merece acreditar de novo, que o sol também a ilumina e não só à terra fértil.
Porque um corpo recheado de emoções é um terreno fértil, onde as coisas boas podem amadurecer e dar frutos.
Um coração que se abre de novo é uma janela aberta para um mundo de oportunidades.

Acorda, levanta-te, ergue a cabeça e começa a viver de novo!

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pura Magia



Não se tratam de feitiços ou malabarismo. Esta magia é outra, é pura, brilhante, a da sorte que se constrói.
Com ela o sol deixou de se esconder atrás da sua protectora nuvem. Ele aqueceu o coração das flores que desabrocharam.
Nasceram sentimentos que procuram incessantemente o seu lugar para ganharem ainda mais sentido.
Chama-se o jogo do quatro por quatro. Quatro sentimentos revelados em quatro meses. Confuso?
Pois é… Esta vida de magia é mesmo assim. Trabalha com o incerto, com a dúvida, o indefinido. Não se pode contar só com a sorte, com a sabedoria, com o mágico. Trabalha-se com o pulsar de um coração.
Desta cartola costumam sair sentimentos à espera de serem agarrados. Para que depois uma mão pequena e suave os feche e conduza até ao coração. É lá que a magia acaba, e ganha-se uma vida.
Esperas que fazem parte desta vida de mágico dos sentimentos dedicados a uma “caixa de pandora”, onde se concentram todos os bens do mundo.
Mas este mágico não fica por aqui, procura mudar a porção do azedo para o doce.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Sente-se… Esteja à vontade!




 Há um espaço em branco, um lugar por ocupar.
Senta-te, descansa, serve-te das histórias que essa cadeira já ouviu!
Vidas que se cruzaram nesse lugar. Corpos que procuraram descansar dos contratempos, dos momentos de felicidade. Rostos que choravam, sorriam, davam de si.
Uma cadeira que no fim do dia ficava vazia de vida, mas cheia de uma alma de histórias. O seu veludo vermelho aquecia-te num inverno, acompanhado de uma chávena de chá. O aroma da menta espelhava-se pela sala. Conversas jogadas fora, destinos que se cumpriam a cada toque, a cada melodia que se formava das palavras que eram jogadas numa sala sem objectos que emolduram o destino.
A cadeira mágica que nos leva a viajar sem cobrar um destino.
Fecha os olhos, sente, vive este momento que é só teu… Só ela te pode ouvir, será tua confidente e não revelará os teus segredos.
Agora vai… Vais viver e ela ficará sempre à tua espera, com a tua vida guardada para quando a quiseres resgatar nos teus pensamentos.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Uma saída, duas entradas…



Reduz-se a vida a escolhas cheias de certezas e algumas incertas. Procuramos uma saída para as dúvidas, os nossos anseios.
Escolhemos para acalmar o coração. Perdemos, ganhamos, caímos e levantamo-nos no segundo seguinte. Erguemos a cabeça e seguimos em frente acreditando que o que lá está será melhor.
Fazemos escolhas porque somos recheados de uma esperança que mesmo reprimida, será inabalável a cada expirar nosso.
Portas que se fecham para nós, um virar de costas que chega a um tempo que se torna indiferente, perde o valor da perfeição para ganhar o estatuto de apenas mais uma experiência vivida.
O fim que à muito tempo chegou, que não dá para voltar atrás… À nossa espera estão uma infinidade de portas abertas que se alimentam da esperança de serem escolhidas por nós.
Entradas que nos guiam por um mundo novo de experiências. O renascer dos sonhos, da serenidade e de um equilíbrio que procuramos manter a todo o custo.
Enfim…um balançar entre o desequilíbrio e o equilíbrio que se torna vital. Está é a pulsação do nosso viver, a saída que renasce numa infinidade de entradas. Este é o poder das nossas escolhas. O (re)criar de uma vida.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Doutor dos Sentimentos




Abre-se a porta, três passos, um divã e um coração que se expõe. Sentimentos voam através de palavras. Este é o consultório sentimental, a consulta de uma vida que se quer construir. Desespero, lágrimas, dores de corações partidos. Feridas que tardam em sarar.
Tiramos os pensos rápidos que escondem as cicatrizes. Mostramos as marcas da violência do nada. Procuramos em alguém o conforto, uma solução.
Esvaziamos de nós promessas que nunca se cumpriram.
Voltamos a tapar a ferida, levantamo-nos, abrimos a porta e regressamos ao mundo continuando a esconder as marcas de uma alma em sofrimento.
Vivemos aguardando e tentando fechar a ferida. Esperando que de uma vez por todas ela morra, deixe de existir.