segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Círculo de Esperas


Gastámos grande parte da vida em esperas, que por vezes se tornam inúteis. Consomem-nos o nosso tempo útil e a disposição que poderíamos partilhar.


Perdemos tempo em filas intermináveis, pelas ruas e nas cadeiras de um serviço qualquer que se nos avizinha como estritamente necessário.

Vamos perdendo esse tempo e deixando a cabeça ao devaneio, entre os pensamentos mais “tontos” ou grandes reflexões. Pensamos sobre as tarefas que temos de fazer, mas continuamos ali sentados à espera e sem que elas tenham um fim próximo. Magicamos fórmulas para que o tempo passe mais depressa ou como conquistar algo. Este novelo de ideias vai ficando cada vez mais complexo, até que ouvimos um som que nos chama à realidade. Mas continuamos à espera!

Se por vezes a espera nos perturba, há outras em que rezamos para que nada aconteça. Esta espera trás acorrentada a si o gozo de um tempo de lazer, de um poder superior de controlo, de um tempo mágico para fórmulas sedutoras de apatia…

A montanha russa de pensamentos que temos dentro de nós faz criar um movimento, uma ideia de algo se passou e que afinal não estamos ali assim há tanto tempo. Mas o cruel relógio na sua exactidão, apunhala-nos a esperança de que suportamos aquilo muito bem e diz-nos que estamos exactamente à 720 horas, 7minutos e 10segundos à espera que algo aconteça. Não sabemos muito bem o quê, porque todos os dias esperamos algo novo. É isso que não nos faz desistir e mantém sempre o sorriso puro e inocente de quem nunca esperou por nada.

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